Projeto Forest-Ed na Provença

Forest-ED em França

Foi com muito entusiasmo que pudemos testemunhar as boas práticas de gestão florestal sustentável da Floresta Mediterrânica da Provença, no âmbito do primeiro encontro de parceiros do Projeto Forest-Ed, decorrido entre os dias 7 e 9 de julho.

Visitámos e conhecemos o trabalho de várias entidades com diferentes focos de ação nas florestas e percebemos como a interação entre todas é fundamental para a preservação das florestas mediterrânicas.

Aprendemos que os quatro fatores-chave para o sucesso da Floresta Mediterrânica da Provença são:

  • Envolvência das entidades de ensino e de investigação. Encontram-se em curso, na Escola Agrária de Gardanne, estudos experimentais de produção de cereais isentos de químicos;
  • Intervenção do Centro Nacional da Propriedade Florestal como entidade pública responsável pela gestão sustentável da floresta privada. Foi-nos dado a conhecer os diversos recursos disponibilizados por esta entidade - desde ações e projetos, apoio logístico de gestão florestal, formações aos proprietários, utensílios e técnicas de silvicultura. É de destacar o incentivo facultado aos pequenos proprietários para se agruparem e melhor otimizarem a gestão da floresta; incluem-se ainda as intervenções das associações florestais e do seu importante papel na restauração das florestas pós-incêndios, de que é exemplo a associação ASL Suberaie Varoise, também presente e envolvida nesta parceria;
  • Participação ativa das entidades de educação ambiental. Foi-nos dado a conhecer o exemplo do ecolodge Loubatas em plena floresta mediterrânica provençal, na floresta de Peyrolles, onde se destacam as construções ecológicas, as hortas pedagógicas e as diversas atividades educativas em plena floresta. Tivemos igualmente a oportunidade de conhecer o Ecomuseu da Floresta que concilia uma parte expositiva e explanativa com um percurso em meio florestal de vivência e de valorização da floresta mediterrânica;

  • Envolvência das áreas protegidas, como é o caso do excelente exemplo do Parque Natural Regional de Sainte Baume, com dois sítios da Rede Natura 2000, pela integração e acompanhamento de todos os proprietários florestais em todas as questões relacionadas com a correta gestão da floresta.

 

Facilmente foi possível constatar que o sucesso da boa gestão patente nesta região resulta de um esforço conjunto que se tem vindo a realizar e a estabelecer entre os vários intervenientes e atores de promoção e de valorização da floresta. Este facto, unido com os fatores acima denominados, talvez seja uma importante lição a retirar e a aplicar nas florestas portuguesas.

À semelhança do que acontece com outras florestas europeias, nomeadamente a nossa, com grande incidência de pequenas propriedades, pudemos comprovar que a estratégia de ação seguida pela Rede Internacional de Florestas Modelo, e em particular pelas Florestas Modelo Mediterrânicas, é um bom exemplo de resposta face às alterações climáticas em curso, respondendo às demandas atuais de preservação e de sustentabilidade florestal.

Desta experiência fica a aprendizagem de que todas as ações de promoção e de valorização da floresta que pudermos levar a cabo são todas bem-vindas e necessárias para uma mudança estratégica de governança comum das nossas florestas. Exemplos disso em Portugal são o Laboratório Colaborativo ForestWise, as Zonas de Intervenção Florestal (ZIF), ao longo de todo o país e, a nível educativo, o Centro de Ciência Viva da Floresta em Proença-a-Nova.

Para o ano esperamos receber os parceiros do projeto em Portugal e partilharmos as nossas boas práticas de gestão florestal, com vista a reforçarmos as nossas visões e agregarmos esforços em prol de uma floresta cada vez mais próspera e resiliente.