COP25 chega ao fim e a ASPEA faz uma análise sobre os seus resultados

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A Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas - COP25 - chega ao fim após 40 horas relativamente à data prevista, depois de alguns impasses e atrasos provocados por alguns países, entre os quais o Brasil ao negar reconhecer o papel que o oceano e o uso do solo desempenham nas alterações climáticas.

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Para Joaquim Ramos Pinto, presidente da Direção Nacional da ASPEA, o documento final «Chile-Madrid, hora de agir» que se traduz num acordo parcial, apesar de um avanço ao valorizar e incluir o conhecimento científico como base para estabelecimento de políticas mais ambiciosas de combate à crise climática, adia, para a COP26, no próximo ano, os compromissos mais ambiciosos ao nível das políticas dos países para enfrentar a emergência climática, nomeadamente:

  • Na aprovação de um conjunto de medidas para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, sendo que alguns países ainda precisam criar as suas estratégias nacionais de adaptação e mitigação das alterações climáticas;
  • Na definição do quadro que regula o sistema de mercado de carbono para o cumprimento das metas estabelecidas no Acordo de Paris, que tem vindo a ser adiado desde 2015, conforme previsto no Artº 6º sobre o Comércio de licenças de emissão de CO2, tendo sido adiado mais uma vez para ser discutido na próxima cimeira.

Os principais responsáveis deste impasse são os E.U.A., a Arábia Saudita, a Austrália, a China e o Brasil, que continuam a insistir numa economia dependente de combustíveis fósseis e não se comprometem em implementar planos que respondam ao Acordo de Paris na redução das emissões de gases com efeitos de estufa.

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Há muitos países em que as “alterações climáticas” não são um tema prioritário porque:

  • Assumem uma postura de negacionismo para justificar as suas políticas assentes numa economia neoliberal e sustentadas numa postura egocêntrica;
  • Têm uma grande influência de grandes empresas de exploração de recursos naturais em benefício dos combustíveis fósseis como a indústria do carvão, do petróleo ou de automóveis ou, ainda da indústria agroalimentar;
  • Apresentam outras preocupações que estão na base de muitos países em desenvolvimento como os problemas da saúde, do acesso à água, da alimentação, da guerra. Estes problemas de sobrevivência sobrepõem-se às preocupações ambientais, precisando de ajuda dos países mais desenvolvidos e, para isso, é preciso que se aprove o plano sobre o comércio de licenças de emissões.

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Com o empurrar do problema para a próxima Conferência, fica demonstrado que faltou o trabalho de casa, que deveria ter sido feito durante o ano 2019, e de compromisso coletivo por parte de alguns países que protegem determinados grupos de empresas com mais emissões de gases com efeitos de estufa e negam a crise climática, para justificarem a aposta numa economia neoliberal sem um compromisso ambiental e responsabilidade social.

Resta, agora, acreditar nos países que lideram a luta contra a crise climática mas, também, no papel da sociedade civil, e em especial os movimentos de jovens, para influenciar as políticas e o trabalho que terá de ser feito durante o ano 2020, no sentido de podermos ter esperanças na efetiva implementação do Acordo de Paris, com propostas mais ambiciosas que evitem uma catástrofe climática e uma crise social, que poderá emergir neste contexto.